Gordofobia e respeito ao próprio corpo

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Desde que parei de amamentar a Isabella ganhei cerca de 15 quilos, E hoje, com quase 80 quilos mal distribuídos em cerca de 1,60 metros, sou uma mulher gorda. Se você já me viu pode até achar que "eu nem seja tão gorda assim", e que "tem muita mulher mais gorda que você", mas nada disso muda o fato de eu estar gorda, e veja bem, não estou falando isso de forma pejorativa ou auto depreciativa, só estou dando contexto para o que vou falar nas próximas linhas.

Eu já estive acima do peso antes da gravidez. E na época fazia piada de mim mesma, brincava com piadas sobre gordices para desviar a atenção do meu incômodo com meu peso e meu corpo. Me comparava a outras mulheres do meu convívio, tentei dietas malucas, comecei caminhada, tomei remédio controlado. Emagrecia e logo engordava de novo, e minha auto estima que sempre foi baixa indo pras cucúias. Engravidei, engordei 10 quilos na gestação e logo que a Isa nasceu perdi o peso acumulado nos 9 meses e os que já tinha antes. Me elogiavam, achavam incrível o quanto eu tava linda, mas ninguém via que por trás dessa perda de peso estava uma pessoa exausta, que não dormia e comia arroz e ovo frito todo dia por não ter tempo para cozinhar, além de amamentar praticamente o dia todo. Ninguém se importa se a pessoa magra tá comendo direito, se tá deprimida, se tá descansando - contanto que esteja magra tá tudo certo. Magreza (a não ser quando chega ao ponto de ser esquelético, claro) nunca remete a falta de saúde. Já a gordura...

Pessoas que não me vêem a tempos quando me encontram me medem de cima a baixo. Sugerem exercícios, academia, perguntam se estou bem. Uma conhecida chegou ao ponto de falar no meio do corredor do supermercado "nossa, como você engordou, né? Sorte sua que você é bonitona!". Pois é. Gordo é domínio público. Todo mundo tem uma solução pra acabar com a gordura, melhorar a saúde, tampar correndo aquele pedacinho de barriga que a camiseta levantada deixou aparecendo. "Tampa isso, tá me incomodando" faltam dizer. Mas dessa vez eu decidi não me torturar mais.

Não vou dizer que acho meu corpo bonito, mas não quero mais odia-lo. Não quero mais ter vontade de chorar ao olhar minha barriga no espelho, quero olhar pra ela e não sentir mais nada, posso até não sentir amor por ela, mas não quero mais sentir raiva. Não faz sentido eu, que sou a única pessoa que sabe com absoluta certeza das dores e delicias de ser quem sou, ter raiva de mim por causa do formato do meu corpo.

Parei de seguir gente que esfrega sua barriga negativa como um troféu nas redes sociais. Não que eu sinta inveja ou ache que é errado buscar o corpo que se deseja ter (porque não sinto e não acho), mas porque dar de cara com uma foto dessas em um dia ruim só me fazia lembrar do meu fracasso. Então passei a seguir mulheres com corpos mais parecidos com o meu, para que eu o visse com naturalidade. E tenho buscado saber mais a respeito de gordofobia e como isso pode ser prejudicial.

Gordofobia não é ter medo de gordo ou de gordura, é relacionar a gordura com algo ruim sempre. Você olha pra um gordo e já imagina que ele seja preguiçoso? Comilão? Que sua saúde não está boa? Isso é gordofobia. Eu que já estive do outro lado já fui gordofóbica muitas vezes, e ainda me pego sendo de forma inconsciente. E se você já usou o ganho de peso de alguém como assunto, acha que alguém se "descuidou" só porque ganhou peso e acha que basta querer para emagrecer você já foi gordofóbico também.


No vídeo abaixo falo um pouco mais sobre o assunto e dou dica de duas séries que podem te ajudar a entender melhor a gordofobia:  



Por aqui sigo lutando todo dia para respeitar o corpo que independente do tamanho guarda minha alma, meu pensamentos, me leva onde eu quero e tá cheio de saúde, mesmo que não tenha o formato que eu gostaria.

E aí, o que achou? Me conta!

Beijo da Tia :*

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