Mudando para o Brasil com animais de estimação


Oi, tudo bem? Aqui quem fala é a Luciana.

Há um tempo falei pra Leila que ia escrever esse post falando da minha experiência trazendo minha gata, a Pudim, da Austrália. A minha ideia em escrever esse texto é, principalmente, ajudar alguém que está procurando informações sobre o processo e não encontra.
É uma situação muito estressante e é muito difícil achar posts falando sobre isso. A maioria que encontrei eram de pessoas contando experiências em outros países ou saindo do Brasil. E o processo para entrar e sair do país são completamente diferentes.
Importante lembrar que os processos podem variar dependendo do país que você está saindo, mas ainda assim acho que dá pra ter uma boa noção do que esperar.

Então vamos lá, começando do começo (risos). Eu me mudei e não pude levar as duas gatas que eu já tinha no Brasil, Charlotte e Tequila, por motivos de regulamentação da Austrália. Eles são muito restritos com tudo e elas podiam passar por situações muito complicadas e achei que não valia a pena, já que eu sabia que ia voltar. Minha mãe e a Leila ficaram com elas nesse período pra mim.
Mas eu sentia MUITA falta de ter um bichinho. Pesquisei muito sobre como era trazer um bichinho de lá para cá, ponderei muito e no dia 20 de julho de 2016 essa coisinha chega em casa:

Sempre bom lembrar que ela foi adotada. Por favor, não comprem bichinhos. 😊


Nós sabíamos que viríamos embora em algum momento do segundo semestre de 2018 e como sou muito ansiosa, comecei a procurar empresas e pedir cotações em Junho do mesmo ano. Mas essa é a primeira dica. Se você tem uma ideia, mesmo que muito por cima, da sua data de viagem, comece a pesquisar. O processo pode demorar e como eu não tinha muita informação sobre como tudo funcionava, fui pega de surpresa várias vezes e se não tivesse começado o processo tão antes, poderia ter tido problemas.

Primeira coisa que fiz foi jogar no Google “transporte internacional de animais”, apareceram várias empresas. Passo dois, pesquisar a reputação dessas empresas, e para as que tinham mais avaliações boas do que ruins, mandei mensagem pedindo cotação. E bom deixar claro que, TODAS as empresas vão ter ao menos uma resenha ruim, alguém que teve algum tipo de problema. Nesse caso acho bom levar duas coisas em consideração: se baseie nas avaliações mais recentes, empresas melhoram e pioram com o tempo, veja o que os clientes que utilizaram os serviços recentemente tem a dizer; e também leve em conta o conteúdo da reclamação, a gente se preocupar com o bichinho e desejar o melhor é uma coisa, mas tem gente que perde totalmente a noção do que pode ou não ser feito numa situação como essa.

Quando recebi as cotações a primeira surpresa: o preço. Eu sinceramente esperava um valor alto, mas não tão alto. Esteja preparado. O nosso caso foi um pouco extremo porque a Austrália é longe demais. Demais mesmo. Se você está vindo da América do Norte ou Europa, provavelmente vai pagar mais barato. Mas de qualquer forma, é caro e essa é uma informação valiosa.
Mas conforme você vai recebendo as cotações fica muito claro a diferença de valores. Umas cobram muito menos que outras. E aí, outro ponto pra ficar muito atento (tô dizendo que tudo tem que ficar atento, mas tem mesmo, são muitos pormenores). Diferentes empresas cobram por diferentes tipos de serviço. Leia com muita atenção se a empresa que você escolheu vai arcar com todos os gastos e isso pode incluir: chip para o animal, vacinas, consulta com veterinário, passagens aéreas, acomodação para o bichinho durante a viagem, taxas, etc...
Para que o bichinho entre no Brasil são necessárias que algumas providências sejam tomadas ANTES da chegada dele, essas informações podem ser consultadas aqui e aqui. E se você estiver lendo esse post em 2.070, verifique se esses links ainda contêm informações relevantes, essas coisas mudam com o tempo.

Depois de ler com muito cuidado todas as cotações, as avaliações de clientes e o que era necessário para que ela entrasse, resolvi contratar a empresa Jetpets (alô, Jetpets, patrocina a gente!). A empresa arcava com todas as maiores despesas da viagem, como consulta com veterinário, passagem, acomodação e retirada dela na nossa casa, fora que os clientes pareciam bastante satisfeitos com o serviço prestado por eles.
E aí começou a parte difícil. No período de Junho a Novembro eu troquei nada menos que 80 e-mails com a empresa, até hoje penso que a moça que cuidou do processo da Pudim dá graças a Deus que tudo acabou hahahaha. Comecei perguntando tudo, afinal eu não tinha esse belíssimo post para me ajudar! E daí fomos ajeitando até ficar bom para os dois lados. Eu só paguei uma entrada quando tinha certeza da data da minha viagem. E o restante do valor duas semanas antes da viagem, mas eles também parcelam.

Assim que paguei a entrada eles me mandaram um arquivo com informações de voo da Pudim, lá estava listado tudo, desde a hora em que eles iriam pegá-la na nossa casa, até o momento do pouso, que deveria ter sido no mesmo voo que o nosso, mas não foi. Alerta informação muito importante: quando você vier com o seu bichinho faça o possível para que ele chegue junto com você, no mesmo voo, pois a Receita Federal trata animais que chegam – como eles mesmos dizem – acompanhados e desacompanhados de forma diferente. Quando o animal chega com você, eles entendem que esse bichinho é seu (de estimação, parte da família) e logo tratado como “bagagem acompanhada” (horrível, eu sei). Porém se o bichinho chega em outro voo, eles entendem que você está trazendo o bichinho para outros fins (ele não é da família) e então é tratado como “bagagem desacompanhada” (pior ainda, né?!). E qual a diferença? Como bagagem acompanhada, você pega o seu bichinho no mesmo lugar que você retira suas malas, sabe na parte de “bagagem especial”? Lá. Daí ali mesmo, alguém do Ministério da Agricultura vai verificar todos os documentos que a empresa disponibilizou para você e se tudo estiver ok, eles liberam todo mundo e fim! SEU PROCESSO ACABOU.
Maaaaaaas, se você não conseguir, aí é outra história. E foi a nossa história. A Jetpets fez um esquema que a Pudim ia chegar com a gente no mesmo voo, tudo certinho e eu tava feliz da vida, mas aí tinha uma LATAM no meio do caminho. A Pudim saiu de casa dois dias antes da gente e eu explico porque mais pra baixo. Ela voou de Brisbane para Sydney, de Sydney para Auckland, e quando pousou em Santiago, a LATAM avisou que o avião que ela deveria ir para Guarulhos não tinha ventilação na parte de carga e por isso, ela teria que ir mais cedo, o problema em ela ir sem a gente é que, por conta disso ela seria tratada como “bagagem desacompanhada” e eu teria que pagar taxas com a Receita Federal, mas o pior de tudo é ela passou a noite sozinha no terminal de cargas do aeroporto, porque a Receita Federal fecha às 17:00 e eu chegava às 21:00 (alô, LATAM, cadê meu voucher pelo baita vacilo que vocês deram???). E mais um alerta de informação muito importante: se isso acontecer com você, saiba que você tem direito de pedir a LATAM um funcionário para te acompanhar até o terminal de cargas para ver o seu bichinho e ter certeza que ele está bem. Eu não sabia disso, só soube no aeroporto, por um funcionário, na manhã seguinte quando fui buscá-la. (LATAM, cadê meu voucher pelo p*ta vacilo duplo????)

Na manhã seguinte, fui até o aeroporto para pegá-la, finalmente. Não perca seu tempo perguntando onde fica o lugar porque ficamos igual barata tonta, cada um mandava a gente para um lugar. Vá direto ao Edifício TECA, é o prédio administrativo do terminal de cargas do aeroporto de Guarulhos, um prédio marrom. Lá procure a sala da cia aérea que trouxe o seu bichinho para retirar a documentação dele e pagar taxas – porque sim, a LATAM quem cagou e eu paguei taxas! – (alô, LATAM, voucher pelo vacilo triplo???). A taxa na cia aérea foi de aproximadamente $68,00 reais. Depois disso, você vai até a sala do Ministério da Agricultura onde um veterinário vai verificar a documentação que a cia aérea te deu, examinar o bichinho e se tudo estiver ok, fazer a liberação do Ministério da Agricultura. Depois disso, você vai a sala da Receita Federal, fazer a liberação da... Receita Federal! E terceiro alerta de informação importante: se você mora fora há mais de um ano e teve o bichinho durante esse período, eles entendem que o bichinho é sim da família e não cobram taxas, por isso leve documentos que comprovem sua estada no país. Se esse não for seu caso, tem taxa e é alta (não é uma taxa única, depende de várias coisas). A única taxa que paguei nesse caso foi o preço da “diária” da Pudim no terminal de cargas, como foi uma única noite, paguei algo em torno de $20,00 reais, mas acredito que é literalmente o preço da diária, então quanto mais dias o bichinho ficar, mais caro. E de novo, se você está lendo isso em 2070, os preços podem ter mudado, fique esperto!

Ah, outra dica importante! Essa taxa da Receita Federal tem que ser paga no Banco do Brasil, eles têm uma agência dentro do mesmo prédio, mas só aceitam pagamento por cartão do Banco do Brasil ou em dinheiro, então fica esperto de novo! risos
Depois que paguei a taxa, voltei na sala da Receita Federal, entreguei o comprovante, peguei o documento de liberação total da Pudim e, aí sim, pude ir buscá-la no terminal de cargas!!! Chegando lá, só entreguei o papel para o funcionário e ele me trouxe ela. Foi uma sensação tão grande de alívio que nem consigo explicar!

Finalmente com a gente, indo pra casa!



Agora só alguns detalhes que acho importante explicar antes de terminar isso, que mais parece uma tese de mestrado haha. Eu disse lá em cima que ela saiu de casa dois dias antes da gente, isso porque a regra geral é de que o bichinho tenha uma pausa de, no mínimo, seis horas de descanso entre voos, como da Austrália até Guarulhos são quatro voos, ela precisou sair bem antes da gente. Nessas paradas ela teve água, comida e cafuné. Quando ela chegou em Guarulhos e ficou presa no terminal, a LATAM pelo menos (era o mínimo, né?), deu água e ração pra ela passar a noite.
Ela só pôde tomar remédio para acalmar no voo de Brisbane para Sydney, não eram permitidos remédios com o gato nos voos internacionais.

Pudim dentro da caixa de transporte esperando a empresa buscá-la para ir viajar



Considerações finais: se você vai passar por isso, tente manter a calma. Só o Augusto (meu "partner") sabe o quanto eu chorei por causa disso. Dá muito medo de algo acontecer, mas ela chegou bem. Tava assustada, mas isso é normal. Em um dia ela já tava a mesma Pudim de sempre. Pesquise a empresa com calma e não tenho vergonha de perguntar, ligar e mandar 80 e-mails para a empresa que você contratou. Eles são pagos pra isso e com certeza já lidaram com gente mais doida que você.
E a última coisa, todo esse processo pode ser feito sem a mediação de uma empresa, você como pessoa física pode organizar tudo com a cia aérea, porém, depois de passar por todo o processo, eu não recomendo. É muito detalhe e é perigoso correr o risco de colocar o bichinho em situações desnecessárias.

Espero muito que eu tenha ajudado e qualquer dúvida, deixe um comentário que fico feliz em ajudar!

Até a próxima!






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