Sobre ser uma péssima mãe


Em, digamos, 70% do tempo, eu me considero uma boa mãe: Pesquiso sempre sobre qualquer assunto, tento respeitar os sentimentos dos meus filhos, ajo como gostaria que agissem comigo quando criança, evito doces, frituras e novelas das 8. Porém são os outros 30% que me fazem acreditar que fiz um grande mal pra sociedade ao ter tido a audácia de achar que saberia criar bem um ser humano, ou pior! Dois seres humanos! Afinal nesses 30 por cento de tempo eu me acho a pior mãe da face da Terra.
Estamos em fase de pré desmame noturno por aqui (pré porque eu já decidi que é hora porém ainda não tive coragem), e junto a isso fomos aconselhados pelo neurologista a ensinar a Isa a dormir sozinha (lê-se deixa-la chorando no berço)  já que ela tem insônia comportamental (lê-se mal costume). Tô um caco. Me sentindo culpada por ter que fazê-la passar por isso, por achar que eu a acostumei mal (apesar dela ter o mesmo padrão de sono desde sempre), morrendo de dó de começar a tirar o tetê que ela tanto gosta. E em meio a tanta culpa me pergunto porque a gente se prende tanto às "falhas" do nosso maternar ao invés de se apegar as conquistas que todas nós temos.
Desmamar 6 meses antes do que eu gostaria apagou o grande feito dos 18 meses de amamentação em livre demanda mesmo tendo que ficar sem dormir pra isso.
Acabar num parto cesarea tirou a graça das 41 semanas com fortes cólicas nas quais me mantive firme para tentar um parto normal na melhor hora pra Isa.
Uma resposta atravessada do filho adolescente faz parecer que a educação que dei pra ele mesmo quando era apenas uma menina não tenha tido resultado.
Cada reclamação na reunião da escola cancela tantas e tantas noites ajudando com a lição de casa.
Aquela gripe que a criança pegou depois de tomar uma friagem inevitável joga um caminhão de culpa em cima de todas as milhares de vezes que deixei de sair pra poupar a criança.
A bagunça na sala quando a visita chega faz esquecer de todas as funções que você temos que acumular.

Escrevo tudo isso com os olhos cheios d'água sabendo que fiz tudo o que estava ao meu alcance,  ao mesmo tempo em que o diabinho no meu ombro diz que eu poderia fazer mais. Fazer melhor. Aguentar mais. Eu sei que fiz o que pude, que tô num ponto de surtar, que tenho me sentido tão esgotada a ponto de parecer doente. Mas mesmo sabendo ainda me cobro...

Prevejo fortes emoções por aqui, e se tem um lado bom é que assunto pro blog não vai faltar.

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