O choro de culpa das mães

Ontem foi um dia igual a todos os últimos dias: Levantei da cama com o corpo dolorido depois de amamentar a noite toda, desci com ela pra sala e passei o dia tentando acalma-la enquanto a gengiva fica nessa rasga-não rasga. Ela tem estado assim há algum tempo, tenta mamar para ter um pouco de conforto mas não consegue, esfrega o rosto em mim, chora se a deixo sozinha para ir ao banheiro. Apesar de cansativo costumo lidar com bom humor, tentando distraí-la para que chore menos. Ontem não. Ontem eu estava uma pilha. Cansada, com dor de cabeça. Cada vez que ia ao banheiro com gritos de trilha sonora minha carne tremia. Tentava amamentar para que ela dormisse e o máximo que conseguia era uma mordida no peito de quem tentava se livrar do seu incomodo.- E do meu incomodo, quem me livra? - Pensei eu.
Por volta das 18 horas ela finalmente pegou no sono. Um sono pesado, largada no meu colo. Por um momento pensei que teria tempo de respirar um pouco e recarregar as energias. Jantar com calma e quem sabe até um cochilo? Coloquei-a então no carrinho e fui cheia de esperança pra cozinha, quando...
Um dos gatos que temos em casa (depois de dormir o dia todo, diga-se de passagem) resolveu "atacar" uma caixa de papelão em cima da estante, derrubando-a no chão. E o barulho acordou a bebê, claro. Corri pra sala, queria gritar mas na minha garganta entalada ficou um "que ódio" que saia entre os dentes. Peguei-a no colo no meio de uma bufada e, por um segundo, desejei não estar ali, não ter aquela vida, não ter gato, ter só um jantar e banho quente. Foi quando olhei pra ela e vi que ela sorria pra mim. E eu chorei. Chorei muito.
Naquele momento eu não chorei de cansaço, ou raiva, ou tristeza. Chorei de remorso. Culpa. Sabe, nem sempre as mães são doces. As mães são pessoas passíveis de erro, de raiva, de tristeza, mesmo que para quem está de fora pareça que não há motivo pra tanto. As mães choram por muitos motivos, mas o choro mais recorrente na vida de uma mãe é o choro de culpa. De se arrepender por ter explodido, por ter fraquejado, por ter sido tão terrível a ponto de desejar desaparecer. E ela não precisa ter externado a raiva ou sido realmente violenta com seu filho para se sentir a pior pessoa do mundo. Não é preciso que ninguém tenha visto seu pior lado - Ela viu.
 Mas ainda bem que as mães choram. Elas são preenchidas com tanto amor, o  amor mais puro, que quando um sentimento ruim ameaça encher seu interior ele acaba transbordando, derramando-se em lágrimas. E daí então só o amor volta a preencher seu coração.

S2

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